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HistóriaEscola

Uma história sobre escuta, respeito e o tempo de cada filho

AC
Admin Checkaut
há 1 semana

Quando meu filho entrou na escola, depois do período de adaptação, comecei a perceber um movimento de recuo. Ele não queria ir à escola e dizia que a professora gritava e punia os alunos quando alguns faziam “bagunça”. Era uma turma de alfabetização, formada por crianças ainda muito pequenas.

Entendo que, hoje, as escolas são muito cobradas por resultados, mas me pergunto até que ponto essa busca não acaba deixando a inclusão em segundo plano. Afinal, como conciliar metas padronizadas com a necessidade de respeitar o tempo, as características e as formas de aprender de cada criança? Esse é um assunto para outra conversa.

Naquela escola, passei dois meses na porta da sala, tentando fazer com que meu filho se sentisse seguro. Durante as aulas, ele me olhava o tempo todo, com aquele olhar de quem não queria estar ali. A escola dizia que era assim mesmo, que algumas crianças demoravam mais para se adaptar.

Conversei com ele e passei a ficar sentada no pátio, em um lugar onde ele pudesse me ver. Mas nada mudava.

Para ele, estar ali era um sofrimento. Ele não se sentia bem. Até tinha um amigo, mas a maneira como a professora conduzia a turma era muito difícil para ele.

No último mês, passei a ficar do lado de fora da escola. Um dia, quando cheguei, ouvi a professora gritando com a turma de uma forma que me pareceu muito agressiva. Eram apenas crianças, tão pequenas! Até eu me senti mal ao ouvir aquilo.

Naquele momento, consegui compreender melhor o que meu filho estava sentindo. Ele precisava frequentar, por obrigação, um lugar onde deveria estar aprendendo, brincando, fazendo descobertas e sendo feliz.

Decidi, então, transferi-lo para outra escola.

Foi interessante perceber que, naquele momento, a postura da primeira escola mudou. Antes, a explicação era que algumas crianças demoravam mais para se adaptar. Depois da minha decisão, começaram a dizer que eu deveria providenciar um laudo para ele.

Mas eu já havia tomado minha decisão.

Na nova escola, ele também precisou de um tempo para se adaptar. Procurei mostrar a ele que podia contar comigo, que eu estaria ao seu lado, que ele era capaz e que, juntos, encontraríamos um caminho.

Aos poucos, ele foi se adaptando. A nova escola parecia estar mais alinhada ao seu perfil, e essa experiência foi também uma grande jornada de aprendizado para mim.

Aprendi que um filho é diferente do outro e que as necessidades que surgem ao longo do caminho exigem de nós, pais, um olhar atento, escuta e disposição para rever nossas escolhas.

Hoje, meu filho está no primeiro ano do ensino médio. É um rapaz extremamente respeitoso, que aprende a superar seus próprios limites com a ajuda da rotina e da disciplina que desenvolveu ao longo dos anos. Não tem muitos amigos, mas os que tem são sinceros.

Tenho muito orgulho dele, do rapaz que está se tornando e do homem que poderá ser. Orgulho da pessoa íntegra que vem construindo, alguém que enxerga o outro para além dos rótulos.

Sobre o laudo, ainda não o fizemos. Ele não quis, e eu respeitei seu tempo. Isso não significa que deixei de estar atenta às suas necessidades. Continuo ao lado dele, ajudando-o a reconhecer e superar suas dificuldades, sem desrespeitar seu ritmo.

Ao longo dos anos, também fui percebendo como a escola pode fazer diferença quando se dispõe a conhecer verdadeiramente seus alunos. Cada criança é única, e não existe uma única estratégia capaz de atender a todas. Quando um professor consegue enxergar o potencial de um aluno, encontrar caminhos para estimulá-lo e ajudá-lo a buscar sua melhor versão, algo muito bonito acontece.

Vi isso acontecer com meu filho. Ele também aprendeu que os professores são pessoas, que têm suas próprias histórias, dificuldades e limitações. Aprendeu a olhar para eles com humanidade, sem deixar de reconhecer o que é difícil, e a buscar o que cada experiência pode lhe ensinar.

E aqui vem uma das partes mais bonitas dessa história: durante praticamente toda a sua vida escolar, ele me dizia que ia à escola porque era obrigado. Agora, no primeiro ano do ensino médio, começou a dizer que quer ser professor. Mais do que isso, quer dar aulas e ser professor universitário!

Quem diria? ❤️

Não sei exatamente como será o caminho até lá, mas fico feliz em ver que aquele menino que tanto sofreu para estar na escola hoje consegue imaginar um futuro dentro dela, ocupando justamente o lugar de quem ensina.

Se tem algo que levo dessa experiência é que nossos filhos precisam que olhemos verdadeiramente para eles. Precisam ser ouvidos, acolhidos e respeitados. Precisam que intervenhamos quando necessário, mas também que acreditemos em sua capacidade de crescer, aprender e ultrapassar seus próprios limites.

Nem sempre teremos todas as respostas. Às vezes, precisaremos mudar a rota, recomeçar e confiar que estamos fazendo o melhor possível com aquilo que conseguimos enxergar naquele momento.

Plantem a semente, reguem com amor, ofereçam apoio e respeitem o tempo de florescer.

E vocês? Alguém tem uma história para compartilhar sobre os desafios, as descobertas e os aprendizados dessa jornada com seus filhos?

#tea#inclusão#neuroatipicos#atípicos#checkaut#atypicalcare

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